Yo hablo português, ok?

fonte: http://www.beekmann.net

Resolvi escrever sobre um assunto que sempre esbarro aqui nos EUA e acredito que vários dos brasileiros que moram aqui, também passam.

Ontem, fugindo da toca, fomos no cinema. Ainda na fila para comprar pipoca, o caixa que me atendeu começou falando inglês e depois que fiz uma pergunta (viu que tinha sotaque) ele começou a falar em espanhol. Perguntei porque ele falava em espanhol, ele disse que era costume e continuou falando em inglês.

De repente me pergunta, da onde você é?

Eu: “Brasil”, Ele: “Então você fala espanhol.”

Falei: “Não, falamos português no Brasil”. Ele retruca: “É muito parecido, você fala e entende então.”

Respondi meio irritada: “Por um acaso eu falo espanhol, mas o português é tão parecido com o espanhol quanto o alemão é do inglês.” Ele: “Não é não, eu falo espanhol e  entendo mais ou menos o português.”

Eu, sacana para caramba, tasco em português: “Ok, vamos falar em portugûes e quero isso, isso e isso. Ele me olhou com aquela cara de bobo.”

Eu retorno ao inglês, sem dizer nada sobre o “causo” e peço o que quero.

Diversas vezes, quando falo que sou brasileira, começa a rolar o espanhol direto (o EUA é o país que tem mais falantes de espanhol no mundo!), na maioria das vezes quando digo que falamos português, em plena era de internet, muitos me olham com aquela cara de novidade.

Como pode? poxa, somos um país com economia crescente, um dois maiores em população e extensão territorial do mundo, desejo de consumo de turismo de muitos americanos e os caras não sabem que falamos português. Melhorou muito, perto de 2003, quando moramos aqui, mas ainda está longe de ser o que devia.

Outra vez que também vale a pena comentar, foi quando eu fui num médico, alergologista, e que sabendo que eu era brasileira, começou a fazer perguntas em inglês do tipo: tem gato, cachorro… e entre as perguntas ele soltou: tem barata em casa? Eu fiz aquela cara, de “o que você perguntou?” e ele soltou: “Cucaracha!.” Eu, sem dizer nada, acenei que não.

No final da consulta ele olha para mim e solta: “Mucho gusto!”

Eu, já sem muita paciência, disse: “Se vc quer falar comigo em português deve dizer: ‘Prazer em conhecê-la'”.

Ele tenta, e diz que não consegue.

Eu pedi um papel, escrevi nossa saudação e soltei: “Voltarei em duas semanas para o retorno da consulta, treina aí para falar direito, ok?”

Juro que es la mas pura verdad!

Um comentário em “Yo hablo português, ok?

  • fevereiro 3, 2011 em 10:41 pm
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    Na Espanha eu não falo português… para eles no Brasil se fala “brasileiro”.

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  • fevereiro 4, 2011 em 11:23 am
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    Paty,
    “Eu ficaria tão P…da vida quanto você…coisa chata isso !!! rs

    Esse lance da España, que a Glenda comentou, é bem verdade. Eles acham que a gente fala brasileiro…
    Mas, pior que isso são os portugueses falarem que nós não falamos português…quem fala português são eles…segundo alguns deles nós mudamos todo o idioma e falamos “brasileiro” ! Pensa se nào dá vontade de bater…”

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    • fevereiro 4, 2011 em 1:49 pm
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      Eu sou bastante vocal nesse assunto. Não deixo passar não, sou bastante clara sobre o assunto para ajudar eles na educação e cultura. Chega do imperialismo cultural!

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  • fevereiro 4, 2011 em 1:42 pm
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    Adorei Paty, hilário!! Sempre que tenho um tempo olho o que tu publicas e sempre penso de onde tu tirar tempo… Acho ótimo, com certeza é uma forma bacana de “conversar” com adultos e sair um pouquinho da função mãe! Bjs

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    • fevereiro 4, 2011 em 1:47 pm
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      De… a gente tem que dar um tempo, para dar um tempo. Sacou o trocadilho? E vou te falar que escrevo em 15 minutos, quase uma catarse… bjs a vc todos e em espcial aos pimpolhos.

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  • fevereiro 4, 2011 em 3:09 pm
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    Minha amiga….amei….hahaha te imaginei em cada cena. E a do médico, foi a melhor!! Realmente, temos que impor respeito senão eles acham que é tudo igual, português e espanhol. Passei por casos parecidos, porém, aqui eles acham que sou espanhola por causa do meu sobrenome (Souza) e pela cor da pele e cabelo. E daí já saem tascando um espanhol….outra coisa que me encomoda é quando sabem que somos do Brasil, perguntam de onde. AAAAAAAAAAAAAAA me dá vontade de dizer: De Santa Maria, conhece? Pq aqui para eles o Brasil é SP, RJ, Recife, Salvador e Fortaleza. O restante eles desconhecem. E mesmo que eu queira encurtar a conversa, dizendo que sou do sul do Brasil, eles ainda insistem em saber de onde. Mas já decidi, o próximo que me perguntar vai receber a resposta: Santa Maria!!! 🙂

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    • fevereiro 4, 2011 em 5:01 pm
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      isso ai Aninha, vamos entrar com o projeto: Eduque seu estrangeiro sobre o Brasil!

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  • fevereiro 4, 2011 em 5:48 pm
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    Paty queria ter essa tua “ousadia”! Eu tbm passei numa situacao num oftalmologista, mas foi pior, o “ignorante” (porque eh mesmo) me perguntou se era verdade que as mulheres brasileiras casavam com homens ricos e mais velhos e depois matavam eles. PODE????? Absurdo neh?! E o pior que ele nao estava de brincadeira! Bem, nao tive nenhuma saida otima como voce teve, soh respondi que nao e depois nunca mais voltei lah!! O Gustavo eh como voce, tolerancia ZERO para a falta de cultura dos americanos! Foi me aderir no projeto de voces!!!! Beijos

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    • fevereiro 4, 2011 em 6:05 pm
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      é isso aí Flavinha… vamos educar o povo, não perdoa não! Ah, diz para o teu médico que a gente não mata os maridos e sim médico que fala bobagem!!! AH,ah,ah!

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  • fevereiro 4, 2011 em 8:26 pm
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    Oi, Paty, tudo bem?
    Olha só, vou aderir! Mais uma para o projeto: “eduque seu estrangeiro sobre o Brasil!”
    No Mexico tbem já passei por umas dessas, já me perguntaram se todas usavamos aqueles biquinis minúsculos: respondi que n todos sao minusculos, mas que todos sao menores que os mexicanos! E ficam perguntando de onde sou, igual a Ana, n entendo pq, se eles só conhecem RJ, SP e Foz do Iguacu…
    Bjo grande e forca com os pequenos!

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    • fevereiro 4, 2011 em 10:05 pm
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      Vamos educar o mundo com a campanha! Rs,rs,rs!!! Na verdade acredito mesmo que se a gente atingir quem está em volta, mas mudando mesmo. Sorte e bjs carinhosos. Caso venham para os EUA, estamos as ordens!

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  • fevereiro 5, 2011 em 11:43 am
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    E o medico nao aprendeu a falar ate hoje ! Eu sou prova disso.

    Hasta la vista, Baby !

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  • fevereiro 10, 2011 em 10:59 pm
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    Olá Paty, tudo bem?
    Estou acompanhando seus textos e só tenho a agradecer por me presentear com essa oportunidade. MUITO obrigada por lembrar de mim.
    ADOREI esse texto em especial. Sabemos que os americanos têm essa – se me permite dizer – ‘ignorância’ à respeito de nossa cultura, acham que falamos espanhol e até já ouví dizer que para muitos deles a capital do Brasil é “Buenos Aires”…rs! Seu relato é engraçado e retrata muito bem o “preconceito cucaracho” que os brasileiros são submetidos à conviver em terras estrangeiras. O que nos leva à conclusão que, no país mais rico e poderoso do mundo, ainda falta adquirir MUITO conhecimento à respeito dos tantos estrangeiros que aí vivem, trabalham, e são parte essencial da economia e desenvolvimento do país, além de sermos, também, habitantes desse nosso imenso planeta! Pequeno detalhe…
    Se a minha memória não estiver um tanto avariada, hoje você e o Erico fazem 10 anos de casamento, uma data memorável para mim por ter sido um dos eventos mais deliciosos que tive o prazer de participar: um casal lindo, uma festa inesquecível, e uma promessa de nos provar a realidade da frase “felizes para sempre!”.
    Fico muito feliz em saber que vocês estão bem, que têm filhos sadios e lindos, e que a vida pode sim nos mostrar que a felicidade existe e é possível, por mais que a vida, muitas vezes, nos obrigue a efetuar mudanças que, muitas vezes, não estavam em nossos planos.
    Grande beijo à toda a família,
    Pati.

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    • fevereiro 11, 2011 em 2:23 am
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      Oi Pati. Que lindo o teu comentário. Adorei, me fez muito bem, sabia?

      Sobre o aniversário de casamento será dia 24 de fevereiro, 10 anos! Passa o tempo né? Realmente somos felizes e conseguimos formar uma família, mas como dissestes, na base das mudanças, cedendo muito e recebendo concessões do outro lado. Senão, não dá certo. Casamento e filhos demanda trabalho, esforço, momentos de decepção, tristeza, mas se você tem o propósito de melhorar o outro e se melhorar no processo, garanto que funciona (pelo até agora!) e principalmente vale a pena.

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