Relato do meu parto – parte 2

Quando ainda estava na sala de recuperação, esperando o efeito da anestesia passar e eu sentir minhas pernas novamente, marido chegou com a Ana Julia e a minha mãe. Meus pais vieram do Brasil e chegaram no dia anterior ao parto. Uma ajuda fundamental!

Meu plano de saúde é para quarto semi privado e aqui os quartos desta categoria tem duas camas. As camas são somente para os pacientes. Não permitem que durmam acompanhantes. Nem para quem tem o privado no plano de saúde. E vou explicar que isso realmente não precisa. Temos todo o amparo das enfermeiras no hospital. Primeiro, eles partem do princípio de que você estará sozinha (ou só você e o marido) em casa para cuidar do bebê. Então, no hospital eles fazem de tudo para que a mãe possa descansar. Uma enfermeira até me falou: “Aproveite que você está aqui e descanse!”.  Mas aí você pergunta: “Descansar com um bebê recém nascido?”. Sim…é possível. De dia, o bebê fica com a mãe no quarto. De noite, se a mãe preferir, o bebê pode ficar aos cuidados das enfermeiras numa sala. Elas levam a criança para a sala onde são dados os banhos, onde trocam as fraldas e dão mamadeiras para que as mães possam dormir tranquilas. E não precisa se preocupar e ficar com medo que irão roubar seu bebê. Somente as mães internadas na maternidade tem a chave para entrar nesta sala. E as enfermeiras, claro.  Eu, particularmente, não quis deixar o Lukas lá. Ele dormia bem de noite e eu colocava ele em cima da minha barriga para dormirmos abraçados (sim, mesmo com o corte da cesária eu fazia isso.). Eu também fiz isso com a Ana Julia quando ela nasceu. Não conseguia me desgrudar dela. Mas acho super válido para as mães que desejam ter uma noite melhor de sono. As enfermeiras somente chamam as mães quando os bebês precisam mamar. Elas trazem a criança no quarto para serem amamentadas.

Como falei do meu quarto, era um quarto semi privado. Mas como não apareceu nenhuma outra mulher, acabei ficando sozinha todos os dias que estive no hospital.

Outra coisa legal são as roupas e fraldas para o bebê. Quando o hospital mandou as informações de internação para mim, dizia para eu levar uma roupa para a saída do Lukas  do hospital. Isso porque a criança usa as roupinhas que tem lá. Todo recém nascido é vestido com as roupinhas que tem na maternidade. E assim também são feitas com as fraldas. O hospital fornece as fraldas para o bebê usar.

Depois que a mãe já consegue se levantar da cama, consegue caminhar, quando já tiraram a sonda (como foi o meu caso), é possível trocar o bebê no quarto mesmo. Aliás, fui estimulada a caminhar pelos corredores da maternidade a partir do segundo dia no hospital. E antes de sair de lá, já conseguia tomar banho sozinha.

Plaquinha com meu nome no alto da minha cama.
Plaquinha com meu nome no alto da minha cama.
As fraldas que estavam no armário do quarto.
As fraldas que estavam no armário do quarto.
Fraldinhas de pano e coeiros no trocador do quarto.
Fraldinhas de pano e coeiros no trocador do quarto.
O trocador no quarto.
O trocador no quarto.
O bercinho do Lukas.
O bercinho do Lukas.
Entrada no corretor da maternidade.
Entrada no corretor da maternidade.
Fotos da equipe de enfermeiras e assistentes que trabalham na maternidade.
Fotos da equipe de enfermeiras e assistentes que trabalham na maternidade.

Cuidados com a mãe:
Eu me senti muito bem atendida no hospital. O médico que fez a minha cesária me visitou todas as manhãs e as enfermeiras sempre foram muito atenciosas. Sempre que eu precisasse, bastava apertar o botão próximo da minha cama que em pouco tempo uma delas aparecia no quarto. Elas tinham também uma preocupação muito grande com o meu leite. Diariamente faziam massagem no meu peito e analisavam se estava perto de descer. O Lukas perdeu um pouco de peso depois que nasceu, porque meu leite demorou a vir. Enquanto isso, as enfermeiras davam leite de fórmula para ele na mamadeira. Mas nunca deixei de colocar ele no meu peito, até porque ajuda a estimular a vinda do leite. Elas também trouxeram uma bombinha para eu tirar/estimular e ver o quanto estava descendo. Só que desde quando a Ana Julia nasceu, tenho certo trauma com as bombinhas de leite. Me machuquei tirando quando ela era bebê e me machuquei de novo desta vez. Usei algumas vezes porque eu queria que o leite descesse logo, mas depois que vi que o colostro veio, não usei mais. Este colostro que saía era dado para o Lukas na mamadeira e completavam a mamada com o leite de fórmula. Outra coisa que as enfermeiras me perguntaram se eu tinha a pomada para passar no peito para evitar rachaduras e se eu estava tomando o chá para amamentação. A pomada eu comprei da Lansinoh e que foi a mesma que usei quando a Ana Julia nasceu. O chá eu comprei o da Weleda e foi mais para evitar cólicas no Lukas. Mas outra “função” dele é estimular a produção de leite.

A pomada para o peito.
A pomada para o peito.
O chá de amamentação.
O chá de amamentação.
Corredor da maternidade com um setor sobre amamentação. As mães podem ir neste setor sempre que acharem necessidade.
Corredor da maternidade com um setor sobre amamentação. As mães podem ir neste setor sempre que acharem necessidade.

Ao contrário de quando ganhei a Ana Julia, não ouvi nenhum comentário desagradável da equipe do hospital. Eu falo isso porque as enfermeiras que me atenderam quando a Ana Julia nasceu foram infelizes ao comentarem coisas do tipo: “Nossa…tem só 3 dedos de dilatação e ainda pediu uma cadeira de rodas para vir da entrada até aqui?” (porque eu não conseguia caminhar de dor quando cheguei no hospital). Ou quando, depois de tentar ganhar a Ana Julia de parto normal, induzida por ocitocina, não conseguir durante toda a manhã a dilatação suficiente e ser encaminhada para a cesária e a assistente no meu parto me pede para eu deitar logo depois de receber a anestesia. Falei que estava esperando passar a contração que eu estava tendo (ainda sob o efeito da ocitocina) e ela diz: “Deita logo senão a anestesia não pega!”. Ótimo comentário para quem estava prestes a ser cortada!! E para fechar com chave de ouro, uma outra enfermeira, suuuuuper delicada, que chegou no meu quarto no final do dia que eu ganhei a Ana Julia. Eu ainda não tinha levantado da cama depois da cesária e quando sentei, tudo rodou. Estava um pouco tonta por causa da anestesia e pedi para ela esperar um pouco até aliviar a tontura e eu poder sair da cama. E ela, na sua “delicadeza” me diz: “Não sei porque essas mulheres fazem cesária se não dão conta depois do parto!”. Respirei fundo e disse: “Não precisa você me dar banho. Minha mãe está aqui comigo e ela vai me ajudar! E eu não te devo satisfação da minha vida, mas te falo que tentei parto normal e não consegui.”. Depois disso fiquei com mais vontade de ir para minha casa e mesmo ficando 2 dias no hospital, achei demais para a minha paciência.
Em compensação, a equipe médica que fez o meu parto quando a Ana Julia nasceu (anestesista, meu obstetra e o pediatra que recebeu minha filha) foram maravilhosos.

Cuidados com o recém nascido:
O Lukas nasceu na quarta-feira, mas só deram o banho nele na sexta-feira. E foi na sexta-feira também que ele fez o teste do pesinho e teve consulta com uma pediatra. Tudo lá no hospital mesmo. Em relação ao banho, parece nojinho deixar o bebê assim, mas em se tratando da água cheia de calcário que temos aqui, isso justifica. Por conta do calcário, a pele da gente fica muito seca. A falta do “banho” se faz para proteger a pele. O argumento da pediatra dos meus filhos é direto: “Um bebê recém nascido não precisa de banho todos os dias. A pele dele é muito delicada!”.  Com a Ana Julia eu sempre dei banho todos os dias desde que ela nasceu, com sabonete e shampoo. O que ajudou para que ela tivesse dermatite aos 4 meses. Depois disso, eu optei em não dar banho todos os dias no Lukas, pelo menos no primeiro mês. A recomendação do hospital é que o banho fosse dado a cada 3 ou 4 dias. E o banho era para ser dado sem sabonete ou shampoo. Somente água. Depois, ao secar o bebê, tinha um pó da Weleda que era colocado no umbigo para secá-lo. E a falta de banho ajuda muito para que o cordão umbilical caia. O lugar não fica úmido e acaba secando mais rápido. O do Lukas caiu ainda no hospital. O da Ana Julia caiu 8 dias depois que ela nasceu. Esse pó da Weleda é natural, feito de arnica, calêndula e equinácea. O que ajuda na cicatrização.
Outra coisa que eles recomendaram para que a gente passasse no Lukas no pós banho era óleo. Mas não era nenhum óleo especial. Era óleo de girassol, o mesmo usado na cozinha. Ensinam fazer a massagem no bebê (shantala) e dão um vidrinho para a gente trazer para casa. E a explicação para tudo isso era sempre como se a gente não tivesse tido filho ainda. Como se fossemos pais de primeira viagem. O que eu achei ótimo (as enfermeiras sabiam que a gente já tinha uma filha).

O primeiro banho do Lukas.
O primeiro banho do Lukas.
Wecesin, o pó usado para secar o umbigo do bebê.
Wecesin, o pó usado para secar o umbigo do bebê.

O teste do pesinho foi feito dentro do hospital. O que facilita para que mãe e bebê não tenham que sair depois para um lugar que faça. Caso apareça alguma alteração no resultado, os pais são informados. O do Lukas deu tudo certo.

Dentro do hospital tem também uma fotógrafa e um pequeno estúdio montado no final do corredor da maternidade. Ela passa nos quartos convidando os pais para tirarem fotos dos seus filhos. Ela cobra, claro. Mas se você quiser somente fazer uma sessão e autorizar a publicação da foto do bebê no site do hospital, isso pode ser feito de graça.  Ela dá uma foto (a que for para o site do hospital) para os pais. As demais a gente encomenda, se quiser. Este ensaio eu aceitei fazer porque eu queria que a foto do Lukas saísse no site do hospital. Se eu não fizesse, isso não aconteceria. A roupinha do bebê para este momento a gente escolhe entre as que são da criança mesmo. As fotos do Lukas não deram muito certo, porque ele chorou na hora e eu não quis insistir para continuar. Pedi para ela parar e que já estavam suficientes as poucas que ela tinha tirado. Ela não gostou muito, pois tinha reservado 1 hora para nós (deve ser o horário padrão para cada criança). E outra….eu não consegui que a Ana Julia participasse, porque o horário que a fotógrafa tinha livre era somente num período que minha filha estava na escola. Mais um motivo para não seguir com aquela “tortura” com o Lukas. Mas acho legal fazer. Pena que não deu muito certo comigo.

Outro cuidado com o bebê é a anotação de quando ele faz as necessidades e a cor que ela sai. Isso também acontece com as mamadas. Horários todos anotados numa tabela. E ele sendo pesado todos os dias para saber se estava ganhando peso ou não. O Lukas acabou perdendo peso porque meu leite demorou para descer. Foi quando a enfermeira perguntou se eu autorizava ela a dar mamadeira para ele. Achei interessante ela perguntar e óbvio que eu não negaria isso.

Alimentação no hospital:
Meu marido falava que o hospital era um hotel. E parecia mesmo. Super silencioso, uma paz! Eu realmente descansei lá. O outro quesito era o cardápio dos pacientes. Todas as manhãs vinha no quarto uma moça e um computador (que fica num carrinho que facilita para ela ficar levando para todo lado) para que eu escolhesse o prato que eu gostaria para o almoço e para o jantar (eu tinha duas opções para cada refeição). O café da manhã eram as enfermeiras que traziam para mim. Antes elas me perguntavam o que eu desejava comer (entre as opções que tinha para o café, claro). Mas quando eu já estava conseguindo caminhar melhor, era eu mesma que me servia e trazia o café numa bandeja para tomar no quarto. Havia um buffet próximo do corredor onde as pacientes podiam se servir à vontade.

Almoço
Almoço

Recebi visitas de amigos queridos no hospital. Os horários de visita são maiores para quem tem plano privado ou semi-privado. Aqui eles não fazem lembrancinhas de recém nascido. O comum é fazer um cartão com uma foto do bebê com as informações de quando nasceu, peso, tamanho…essas coisas, e entregar para os amigos. Eu fiz este cartão somente para dar aos avós, bisa, padrinhos e tios. Para entregar aos amigos daqui eu fiz uma caixinha com M&M’s dentro e pedi para uma amiga super talentosa fazer umas pipas de tecido como marca página de livros. Para quem quiser fazer encomendas para ela, basta entrar em contato com a página dela no facebook (clique aqui). O nome dela é Fernanda e ela também faz bolos e doces (foi ela que fez o bolo do chá de bebê do Lukas).

As lembrancinhas (caixinha com M&M's e o marca página de pipa).
As lembrancinhas (caixinha com M&M’s e o marca página de pipa).

Eu particularmente adorei o hospital. A enfermeira perguntou se eu queria ter alta no domingo ou preferia sair na segunda (O Lukas nasceu na quarta-feira). Juro que pensei: “Amiga, posso ficar aqui até completar os 3 meses?”, de tão tranquilo que era o hospital. Mas preferi sair de lá no domingo mesmo, pois a Ana Julia me perguntava todos os dias, quando eu iria para casa.

Essa foi a minha experiência no Kantonspital Baden.

Se quiser ler mais sobre maternidade, veja estes posts aqui:

A família vai aumentar!
O primeiro trimestre da gestação
Meus cuidados na gestação
O segundo trimestre da gestação
Meu chá de bebê
Minha gestação no Brasil x Minha gestação na Suíça
Preparação para o parto
Terceiro trimestre da gestação
Relato do meu parto – parte 1

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6 comentários em “Relato do meu parto – parte 2

  • março 17, 2016 em 11:37 am
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    Adorei o relato. O blog está lindo! Saudades!

    Resposta
  • março 17, 2016 em 3:51 pm
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    Estou adorando acompanhar as histórias da sua gravidez! Muito interessante ver essas diferenças culturais e aprendemos com o melhor de cada país.
    Parabéns, Ana!

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  • março 18, 2016 em 11:43 pm
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    Que história gostosa…me encantei pelo hospital rsrs! Beijos para todos!!!

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