Discriminação disfarçada de preocupação com a qualidade de vida – Suíça

O título deste post expressaa minha opinião sobre o referendo que aconteceu hoje, dia 30 de novembro. Esta é uma das iniciativas que foi votada, mas de longe a que me faz pensar no quão discriminante podem ser as pessoas. E o pior, mascarar o que não se consegue esconder.

O assunto é sobre a superpopulação na Suíça e a campanha sobre ele é tratada como Ecopop.
A proposta desta iniciativa é de preservar o meio ambiente e a qualidade de vida. Para isso, o crescimento da população residente permanente na Suíça deve ser restringida. Uma das formas de reter este crescimento é limitar para  0,2 % ao ano a imigração.

Para os que defenderam esta proposta, a reclamação é que a população tem crescido rápido demais. E a comparação que eles usam é que, a cada ano é uma nova cidade do tamanho de St. Gallen (com cerca de 75 mil habitantes) que se forma. A partir disso, eles argumentam que o resultado é: congestionamentos nas estradas, trens superlotados, o aumento dos aluguéis, extinção de espécies de animais e a perda da biodiversidade cultivada. O que resulta na redução da qualidade de vida.

Além disso, eles propõem também que 10% do orçamento total do país seja direcionado para um trabalho de planejamento familiar e redução da taxa de natalidade em países pobres.

Para os que se opõem à Ecopop, as razões são óbvias:
– ao restringir a imigração, as empresas que trazem estrangeiros para trabalhar seriam prejudicadas. Há bastante mão de obra de fora do país;
– outro problema seria estremecer as relações com os países da União Europeia (que já ficou abalada depois do referendo de fevereiro, onde determinaram a limitação anual de emissão de vistos de residência);
– cerca de 8 milhões de pessoas vivem hoje na Suíça e sua taxa de natalidade é muito baixa. As pessoas estão vivendo mais e a população está encolhendo;
– e claro, o fato de destinar 10% do orçamento total para contraceptivos e cursos de planejamento familiar é considerado alto demais.

A iniciativa Ecopop finge proteger os recursos naturais e tenta vender a ideia de preservação da prosperidade da Suíça. Ela é antiética e isso está na cara. Os limites para os imigrantes buscam assegurar que venham e/ou nasçam menos crianças estrangeiras aqui. Pois a partir da perspectiva da Ecopop, o meio ambiente está condenado à medida que mais e mais pessoas querem alcançar o alto padrão de vida suíço.

Mas não é à toa que gosto de morar aqui. E foi os 74% da população que votaram contra a este referendo que me fazem acreditar que o suíço até pode ser “frio” em relação à demonstração de carinho, mas é um povo que entende a importância dos estrangeiros para o país.

6 comentários em “Discriminação disfarçada de preocupação com a qualidade de vida – Suíça

  • dezembro 2, 2014 em 2:42 pm
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    Na verdade eles não estão preocupados com os imigrantes, eles ficaram com medo e puxaram a sardinha pro lado deles…rs

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  • janeiro 24, 2015 em 10:54 am
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    Adorei teu blog! Pesquisando sobre o parque do pequeno príncipe conheci teu blog, e olhando descobri que és gaúcha e mora na Suíça! Também sou gaúcha e também moro na suíça no cantão de Solothurn, também vim por causa do trabalho do meu marido! Beijos beijos

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    • janeiro 27, 2015 em 11:56 pm
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      Oi Paula, olha aí quanta coincidencia entre a gente, hein?? Podemos marcar algo para nos conhecermos pessoalmente qualquer dia desses, se vc quiser. Beijos,

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