5 coisas que aprendi nos 5 anos de Suíça

E lá se vão 5 anos que chegamos na Suíça. E para comemorar a data, conto 5 coisas que aprendi neste tempo por aqui.

1) Nem todo suíço é fechado.
Aquele papo de que os suíços são frios, que não falam, que não tem sentimento, pois então….tenho lá minhas dúvidas. Já conheci muito suíço que fala pelos cotovelos, que conta da vida para mim sem ao menos ter intimidade comigo. Que são animados e contam piadas.
A pediatra da Ana Julia é um exemplo. Faaaaala  pra caramba. Me chama de Ana e não de Frau de Souza (o que é uma super intimidade para quem não convive com você). Ela me conta sobre seus filhos e sei bastante sobre os pais dela. Em contra partida, também contei sobre nós, sobre o povo que deixamos no Brasil (até por curiosidade médica, para saber sobre a saúde da família toda). Ela também já contou da época dela de faculdade, quando fez estágio na America Central e na África (bem comum entre estudantes de medicina, com o objetivo de conhecer doenças que não existem no país). Bastante informação eu diria.

Esses dias, um senhorzinho conversou comigo dentro do ônibus. Contou da sua esposa, falou o que ele iria fazer, como se fossemos amigos. Eu nunca tinha visto ele antes. Mas sabe aquela vontade de falar com alguém, independente de quem seja? Estava nos olhos dele isso. Durante o trajeto ele falou mais dele do que eu de mim. E quando ele desceu no ponto de ônibus antes do meu, ele se levantou e se despediu de mim com um aperto de mão e um sorriso lindo no rosto. Fiquei feliz por tê-lo feito feliz. Mesmo que por alguns minutos. E mesmo que sua voz rouca e seu suíço alemão me dessem um nó na cabeça. Valeu o dia!

E as minhas professoras da academia? super animadas (digo isso porque tem umas que são beeeeem quietas). Uma faz muita piada, a outra me chama por Ana e a outra é mega descontraída. Mas esta, toda vez que vai corrigir um aluno durante o exercício, pergunta primeiro se pode tocar na pessoa. Eu adoro ela. Como a gente costuma dizer: “Nem parece que é suíça, né?”

 

2) Viver longe acaba gerando uma seleção natural de amigos.
Logo que saímos do Brasil todo mundo diz que vai morrer de saudades e biriri e bororó. Mas o que acontece na verdade é que a falta de convivência acaba sendo uma forma de selecionar os amigos. Quando fomos de férias pela primeira vez, foi uma correria para visitar tanta gente. Fora a família, tínhamos os amigos que queriam nos ver e nos desdobramos para poder compartilhar de um tempo com todos. Só que os anos passaram e os amigos interessados em saber quando a gente chegasse no Brasil começaram a diminuir. Até que restou os que sempre, mas sempre ligam para saber se temos tempo livre para encontrá-los. E tem gente que roda uns 300km para nos ver. E daí tu percebe a importância que algumas pessoas te dá. Uns que moram na mesma cidade onde nós estamos nem ligar, ligam. E outros que moram a quilômetros de distância de onde a gente fica se esforçam sempre para matar as saudades. E estes que nunca deixam de nos ver quando estamos nos Brasil, sabem o quanto ficamos felizes em poder abraçá-los.

 

3) Dar valor a um dia de sol.
Dificilmente consigo ficar dentro de casa tendo um dia lindo de sol lá fora. E principalmente com criança, parece que ir para a rua é uma obrigação nestas horas.  A gente já passa boa parte do ano trancado dentro de casa por causa da friaca, que quando os dias começam a ficar longos e o sol aparecer com mais freqüência e mais forte, uma alegria toma conta da gente. Dá um ânimo, uma disposição que estavam adormecidos (hibernando, eu diria) durante os dias frios.

 

4) Andar de bicicleta é liberdade.
Aqui eu voltei a andar de bicicleta depois de aaaaaaanos. Desde quando a Ana Julia começou a ficar mais firme e eu ter segurança de que ela estaria bem na cadeirinha da bike, que eu adooooooro rodar por aí na minha magrela. Eu me sinto tão livre fazendo isso. Mais do que se estivesse andando de moto (sim, já dirigi moto e também já derrubei ela. Por isso minha fase motoqueira passou como um cometa). Fora que eu posso andar em lugares onde carros não podem. E isso, não tem preço que pague.

 

5) Neve é alegria.
Pode parecer contraditório quando eu digo que dou valor aos dias de sol e escrevo que neve é alegria. Mas olha, para mim o inverno daqui só tem graça quando neva. E eu viro criança mesmo quando isso acontece. Sou eu e a Ana Julia na janela cuidando para ver se tudo fica branquinho (ela mais ansiosa que eu, já diz que está nevando quando ainda está chovendo). Sabe aquele papo de “voltar à infância?”. Pois então, é bem por aí!!!!

 

Tenho muita coisa para aprender ainda. E essa é a parte mais legal do negócio!

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13 comentários em “5 coisas que aprendi nos 5 anos de Suíça

  • junho 18, 2014 em 1:33 pm
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    Ai que lindo…Mto bom…Parabéns pelos 5 anos e que venham tantos quantos continuarem sendo bons e cheios de aprendizados…Amamos vcs. Bjosssss

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    • junho 18, 2014 em 11:19 pm
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      Amiga, reconheceu umas fotos tuas ali em cima? Preciso da minha fotógrafa profissional particular aqui!!!
      Beijos,

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  • junho 18, 2014 em 2:48 pm
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    Me emocionei Ana, recordei qdo o Kefas comentava no trabalho anterior sobre objetivos de novos desafios, e eu torcia para que desse certo.Fico muito feliz e parabenizo voces pela atitude e coragem. Desejo que a felicidade e realizacoes lhes acompanhem sempre. Um forte abraco.

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    • junho 18, 2014 em 11:18 pm
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      Eronides, muito obrigada pelo carinho!!! E venha nos visitar quando quiser!
      Beijos

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  • junho 18, 2014 em 3:14 pm
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    Olà Ana Luiza!

    Acho mto legal o seu blog, eu tb moro na Suiça, so q moro em Lugano, aqui o tempo ja è mais quentinho.
    Gostaria de tirar uma duvida, vc sabe como se chama couve aqui?. Ja procurei de morrer mas nao acho.

    Abraço,
    Catiana

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    • junho 18, 2014 em 11:17 pm
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      Oi Catiana, fico feliz que vc gosta do blog e que mora por aqui.
      Sobre a sua dúvida, não existe couve na Suíça. Pelo menos na parte alemã não tem pra vender. O que vc pode encontrar e usar como couve são as folhas de Kohlrabi (não sei em italiano como se diz. Mas dá uma olhada neste link http://de.m.wikipedia.org/wiki/Kohlrabi)
      No mercado,vc pode pegar as folhas e não precisa pagar, pq eles vendem a parte verde (parecida com a beterraba). Eu já peguei e fiz como couve e o sabor é muito parecido.
      Na verdade, couve eu encontro no açougue em Zürich, mas eles vendem congelada (vem do Brasil). Caso tenha algum mercado indiano, africano, chinês pertinentes vc, dê uma procurada que talvez vc encontre.
      Abraços e boa busca,

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      • junho 19, 2014 em 7:05 pm
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        Obrigada!! Vou dar uma olhada. È q no Brasil eu fazia suco verde com couve pra tomar pela manha e gostaria de continuar aqui, to achando melhor procurar alguma outra coisa q substitua o couve…rs

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  • junho 18, 2014 em 4:20 pm
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    Oi migs! Estamos todos com saudades de vcs! Vamos nos reunir semana que vem e vcs farão falta. Esse ano pelo jeito nosso encontro será aí, só falta convencer algumas pessoas se é que vc me entende, dá nossa parte tudo certo. Bjos!

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    • junho 18, 2014 em 11:09 pm
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      Drica, não vejo a hora de ter vcs aqui com a gente!!!
      Um ótimo encontro e se minhas orelhas esquentarem, já sei de onde vem! Hahahaha
      Beijos com muitas saudades

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  • junho 19, 2014 em 11:47 pm
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    Ana, parabéns pela maneira de vc se expressar, nos contagia.

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  • março 18, 2017 em 11:48 am
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    Olá gostaria de passear na Suiça, mas não conheço ninguem ai, sera que vai ser complicado?

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    • março 18, 2017 em 2:51 pm
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      oi Carlos, para visitar a Suíça, vc não precisa conhecer ninguém que more aqui. Se precisar de guia ou de roteiros, pode contar com meus serviços. ok?
      Abraços,

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