Os plebiscitos de novembro – Suíça

No próximo domingo, dia 24 de novembro, terá na Suíça mais 3 referendos. Segundo as estatísticas do governo federal, o número de referendos aumentou em 45% de 1980 até 2013. Muitos acham que esta forma de decisão tem sido usada para sanar problemas particulares e não de interesse do povo em geral. Um dos motivos para este pensamento é um dos assuntos a ser votado neste mês: o Familien Iniciative. Nele se questiona o fato dos pais que deixam seus filhos na creche poderem deduzir este custo do seu imposto de renda. Em contra partida, os pais que cuidam de seus próprios filhos (chamados de Família Modelo) mas que tem ajuda de vizinhos ou parentes para isto, não recebem nenhum “auxílio” do governo para tal. Logo, estes querem isenções fiscais.
Acho um erro enorme chamar de Família Modelo os casais que não pagam pelo serviço de cuidados com os filhos, mas que no entanto, deixam eles com terceiros. Não vejo nada de diferente nisso (fora o fato de não gastar, claro). E não concordo como o partido SVP (de extrema direita) alegar que não há problema em cuidar de filhos e trabalhar. Por mais que existam vagas de emprego para trabalhar 20%, 40% , 80% durante a semana (e são poucas), isto não quer dizer que está tudo resolvido. Pelo contrário. Ótimo se você tem parentes ou amigos aqui para contar e lhe ajudar. Agora, se você não tem, sinto muito. A creche é a forma que os pais tem de deixar seus filhos atendidos e poder trabalhar com tranqüilidade. E outra, a sociedade é muito machista. Tudo é feito para que a mulher fique em casa depois de ter filhos. A licença maternidade são de 4 meses (menos que no Brasil), as creches são caríssimas e as escolas públicas (a partir do jardim de infância, quando a criança tem 4 anos) possuem horários difíceis de conciliar com um trabalho. Sorte da mãe e do pai que possuem mais de um filho, onde o mais velho ajuda na hora de cuidar do irmão.

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Outro tema que será votado é o Nationalstrassenabgabegesetz. Resumindo, é sobre o valor do selo que usamos no carro e que nos permite rodar tranquilamente na Suíça (como se fosse um pedágio).  Você paga uma vez no ano e custa 40 francos. Porém, alega-se que os custos com manutenção e construção de novas rodovias, mais os engarrafamentos, são motivos para que o valor deste selo seja de 100 francos. Gente, de 40 para 100 francos tem uma baita diferença. Isso eu acho muuuuita sacanagem. Fora que quem vem de carro de outro país para nos visitar ou passear aqui, tem que pagar este selo, mesmo que fique poucos dias.

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O terceiro assunto do referendo de domingo é o 1:12. Isto é, o maior salário em uma empresa deve ser, no máximo, 12 vezes o menor salário que ela paga. Já faz um tempo que tem se falado muito em salários, regularização de um salário mínimo no país e a busca por igualdade salarial. Já foram feitas reportagens investigativas onde mostravam que algumas lojas de calçados pagam somente 2 mil francos por 40 horas de trabalho. Tem se mostrado preocupação com desigualdade social. Porém, os argumentos contra esta iniciativa são de que, se o governo determinar o valor de salários dentro das empresas está se “metendo” demais onde não deve. Que este assunto deve ser tratado entre sindicatos, empregados e empresas.  E esta situação só ajudara a aumentar o desemprego e gerar postos de trabalho terceirizados.
Neste caso, a proporção 1:12 considero bem generosa e junto com ela poderia vir também a proposta de criar um salário mínimo nacional. Acho que desta forma será a melhor para acabar com estas disparidades.

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Enfim…vamos aguardar os resultados.

Quem quiser ler mais sobre plebiscitos na Suíça, tem mais estes post que já escrevi:

Desarmamento na Suíça

Mais férias? Não, obrigada!

E sobre o Familie Iniciative, tem uma reportagem em português aqui.

2 comentários em “Os plebiscitos de novembro – Suíça

  • novembro 21, 2013 em 11:37 am
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    Legal seu texto, Ana. Não sabia dessas outros plebiscitos. Admiro muito isto aqui na Suíça: a população poder propor, votar e decidir suas próprias leis. Seja lá o que for, eh votado pela população e não por um monte de deputados que a gente nem sabe bem o que esta votando…

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    • novembro 29, 2013 em 7:54 pm
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      Tambem concordo com vc Maila…o povo se sente mais próximo das decisões publicas. E vc viu o resultado? Nenhum dos referendos venceu.

      Resposta

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