Viagem para Milão

Continuando o post sobre nosso passeio para Lugano e aproveitando o relato do Mauro sobre a chegada dele e da Sabrina na Itália, vou contar nossas aventuras por Milão. Saímos de trem de Lugano, na Suíça, em direção a Milão. Logo que passamos a fronteira entre os dois países, é possível perceber algumas diferenças. Ao estarmos em solo italiano, notamos que a vegetação não é tão cuidada como aqui. Outra coisa foram os varais de roupa pendurados no lado de fora dos prédios e estes em péssimo estado. Neste começo, notamos que os suíços são mais caprichosos. Quando chegamos na estação de Milão, fomos procurar o guichê de informações. Nele o rapaz que nos atendeu nos deu o mapa da cidade e nos explicou como chegar ao nosso hotel. Ele recomendou que pegássemos um táxi, pois teríamos que caminhar no mínimo uns 20 minutos para chegar até lá. Porém, pegar um táxi com duas malas e mais o carrinho de bebê e sem a cadeirinha para nossa filha sentar no carro, não haveria como fazer. Mas como ainda era dia e não tínhamos pressa, fomos caminhando e aproveitando para conhecer a cidade. Porém, começamos a perceber que o rapaz do guichê de informações dizia para todo mundo pegar táxi. Ficamos um pouco desconfiados, pois sabíamos que havia metrô e tram com vários pontos espalhados por Milão, mas tudo bem.

Lá fomos nós caminhando. Estávamos respirando civilização. Milão é a maior e mais populosa cidade da Itália. Eu estava adorando tudo aquilo. Ao chegarmos ao hotel, vimos que havia um ponto de tram a 200 metros dele. E que uma das linhas que passava lá, tinha como origem/destino a estação de trem. E porque o moço da informação não falou isso? Eu tinha visto pela internet que havia uma linha de tram perto do hotel, mas ele negou, que não teria como pegarmos o tal transporte na estação. Isso estava me intrigando!!

Ok….deixamos nossas bagagens no hotel e fomos passear pelas redondezas. Encontramos o parque Giardini Pubblici Indro Montanelli, que é realmente muito lindo (pena que esqueci de tirar foto dele, sorry! A que está abaixo é da internet.). Depois passamos pelo supermercado e fomos para o hotel. Estávamos cansados da viagem. Nosso quarto era de frente para a rua e quando deitamos para descansar foi como se o tram que passava na frente do hotel, estivesse passando do lado da nossa cama. A acústica do quarto era horrível. O lado bom é que a linha funcionava até meia-noite. Depois o descanso foi possível.

Giardini Pubblici Indro Montaneli

Partimos para um domingo de caminhada e passeios. Primeiro fomos passar pela Rua da Moda, a famosa Via Montenapoleone. Olhar vitrines é comigo. Neste caso foi a única coisa que consegui fazer!! Aqui também esqueci de tirar foto e estou colocando uma da internet.

Via Montenapoleoni, a rua da Moda.

Passamos pela Corso Vittorio Emanuele II (um calçadão bem no centro da cidade) e no início havia em bronze toda aquela região central, em alto relevo. Achei legal!

O centro de Milão em alto relevo.

Nesta caminhada, estávamos nos dirigindo para a Duomo de Milão e quando chegamos lá, tinha uma multidão na frente dela. Estava acontecendo uma beatificação. O trânsito todo estava parado e havia vários seguranças e telões espalhados.

Duomo de Milão no dia da beatificação.
Os telões espalhados pela praça.

Bom, já que não conseguimos tirar uma foto na frente da Duomo sem ter que dividí-la com várias pessoas, fomos então conhecer o Estádio San Ciro. As estações de metrô perto da Duomo estavam todas fechadas. Fomos procurar outra que estivesse funcionando. Chegamos na região do estádio e confesso que fiquei com um pouco de medo. Tinha um pessoal meio estranho nas redondezas, as casas e os prédios cheios de grade. Percebemos que o local não era o mais seguro. Mas como era dia, seguimos em frente. Caminhamos muito e chegamos no estádio. Nele também fica o Museu do Milan e da Internazionale. Porém, no Museu não é permitido tirar fotos. Depois fizemos o tour pelo estádio e o guia sabia um pouco de português. Havia visitado o Brasil e adorava os brasileiros. Fomos nos vestiários e achei tudo um luxo. Eu já visitei o Maracanã, mas o San Ciro é mais bonito. O ruim é que conseguimos visitar só o vestiário da Internazionale, pois no dia anterior teve jogo do Milan e o vestiário deles não havia sido limpado. O guia contou o que havia no vestiário do Milan e pelo o que ele disse era muito mais bonito do que o da Inter. No final do tour, precisei ir ao banheiro. Eis que o guia disse que só era disponível os banheiros que ficam abertos durante os jogos. Fui lá e quase desmaiei com a sujeira e fedor. Poxa, bem que eles poderiam oferecer um banheiro melhor para quem faz as visitas. E ainda eu precisava trocar a fralda da minha filha. Trocador era sonho, então fizemos no carrinho dela mesmo o serviço. Eu estava acostumada demais com a Suíça. Aqui temos trocador de fraldas em muitos lugares como restaurantes e lojas. Não gostei do final deste passeio.

Estádio San Ciro
Vestiário da Internazionale.

Depois da visita no San Ciro, voltamos para a Duomo. Eu queria entrar nela, mas ainda havia muita gente por lá apesar da beatificação já ter sido finalizada. Então fomos na Galleria Vittorio Emanuele II. Que lugar bonito, com pinturas e vidro no teto e cheia de lojas.

Galleria Vittorio Emanuele II
Galleria Vittorio Emanuele II.

Descansamos um pouco e fomos em frente. Agora nosso destino era o Castello Sforzesco. E não sei se era o tempo quente que estava ou se era por ser domingo, mas estava cheio de gente o lugar também. Dentro dele estavam intransitáveis os corredores . Coisa de doido, todos resolveram passear por Milão no mesmo fim de semana!! Mas tivemos a sorte (ou azar) de ter na frente do Castello Sforzesco uma promoção das massas Barilla. Estavam distribuindo massas com vários molhos. Eu já estava ficando com fome, entrei numa fila enorme e peguei um prato para matar quem estava me matando. Mas depois desisti de provar as outras. Era muito tumulto. Foi então que o pessoal enchia a barriga de Barilla e ia passear pelo Castello. E foi isso que fizemos. O Castello Sforzesco é grandioso. Fiquei um tempo contemplando ele e imaginando o quanto de história já aconteceu dentro dele. Ele também abriga museus e pinacoteca. Mas não tínhamos condições de visitar com tanta gente circulando. E estávamos começando a ficar cansados.

Festival de Massas da Barilla.
Castello Sforzesco.

Então voltamos para o hotel. Depois de um longo dia, o que eu mais queria era dormir. E nem a linha do tram me atrapalhou, de tão cansada que eu estava. Porém, no meio da madrugada ouvi vozes no corredor do hotel. Achei que fosse um grupo de amigos que estavam chegando de alguma festa. Mas o pior que não. Era um italiano que falava no celular. E o pior, discutindo a relação com a namorada ou a esposa. Eu não estava acreditando no que estava acontecendo. Eu, que não tenho problema de insônia, não conseguia dormir por causa daquela criatura berrando no quarto ao lado. E aquela discussão não terminava. Foi quando eu me levantei e fiquei ainda em dúvida: ou desço na recepção e peço para alguém fazer algo ou eu vou e bato na porta do quarto deste indivíduo e digo para ele encerrar o assunto e terminar a conversa quando o dia amanhecer. Foi por um milagre, ele parou de falar. Viva…voltei para a cama! Foi só deitar que ele atendeu o telefone de novo. Ah, não acreditei. Só pode ser pegadinha, pensei! Mas daí a conversa não demorou, ainda bem.

No dia seguinte, mesmo cansada pela agitação no quarto ao lado do nosso, fomos em direção à Duomo. A gente ainda não havia entrado nela e era o nosso último dia em Milão. Então voltamos lá para conhecê-la por dentro. E conseguimos! É uma igreja enorme (como a maioria na Itália) e muito bonita. Quando entro nas igrejas, fico pensando em tudo que já passei, na minha vida, na família, nos amigos. A sensação de paz que eu tenho é recompensadora.

Galleria Vittorio Emanuele II que fica em frente da Duomo.
Praça em frente da Duomo.
Duomo de Milão.

Da Duomo retornamos para o hotel, pegamos as bagagens e fomos para o ponto do tram. O tal tram que o moço do guichê de informações disse que não haveria como pegarmos da estação e para ela. Tudo muito bem, quando chega o tram (bem mais alto dos que circulam na Suíça, além de terem a porta estreita para subir com o carrinho) e eu e meu marido agilizamos para colocar o carrinho de bebê e as bagagens dentro. Lá também há o horário de chegada em cada ponto, para sabermos se está atrasado o tram ou não. Foi então, ao sentarmos e apreciarmos a paisagem de Milão que o motorista grita (realmente, gritou!) do seu lugar, algo para nós. Na hora, não estávamos distraídos e na prestamos atenção. Foi que meu marido me olhou e disse: Será que é com a gente? Acho que não, falei para ele. E o motorista insistiu nos gritos e foi quando entendemos que fizemos algo de errado. Só que não havíamos entendido nada do que ele tinha dito. Meu marido foi até ele para perguntar o que houve (e nisso, o tram seguia viagem), mas o motorista só falava italiano. Meu marido voltou para o lugar e uma senhora que estava sentada perto da gente, começou a gritar e gesticular para que fechássemos o carrinho de bebê para entrar no tram. Detalhe, nossa filha estava sentada nele. Ela foi gentil em nos ajudar, porém não percebeu que não éramos surdos, só não entendíamos italiano. Foi então que deduzimos que o motorista achou que demoramos para colocar nossas coisas dentro do tram, o que deve ter feito ele perder um pouco de tempo no ponto onde nós subimos. Apesar dos imprevistos, nossa viagem foi muito legal e divertida!!!

Um comentário em “Viagem para Milão

  • dezembro 5, 2010 em 8:59 pm
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    Pois é, a Itália é isso mesmo, primeiro mundo? Conta outra hehehehe! Quer pedir informação para um italiano? Pergunte exatamente o que quer e acrescente algumas opções, pois eles só vão te responder o mínimo necessário. A Itália é um lugar maravilhoso e as pessoas têm seus trejeitos, que a gnt aprende a apreciar heheheh.

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    • dezembro 6, 2010 em 9:36 am
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      É Sabrina, tem cada uma que acontece!!! A gente vê o primeiro mundo com outros olhos depois disso. Mas a Itália não deixa de ser um lugar encantador, realmente. 🙂

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  • dezembro 6, 2010 em 1:15 pm
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    Ana do Céu, me deu um desespero só de ler aqui!!! Achei que o maquinista ia fechar a porta do trem sem que vocês tivessem subido, ou sem que o carrinho de bebê tivesse entrado!!! Que era uma porta automática, sei lá!!! Que horror! Mas, de qualquer forma, adorei conhecer um pouquinho mais da Itália com você agora.
    Ahh, sabe me dizer quem estava sendo beatificado? Sou bastante católica e gostaria de saber!!!
    Outra coisa: os brasileiros crêem que os estádios de futebol do exterior são maravilhosos, luxuosos e tal. Porém, temos aqui em Curitiba um dos melhores estádios de futebol do mundo, do Atlético Paranaense, que, por sinal, é o meu time do coração!!
    Beijo, até depois!

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    • dezembro 7, 2010 em 10:01 am
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      Pois é Carol…ainda bem que a porta do tram é como de elevador, se vc coloca a mão, ela abre novamente. Porque ela fechou mesmo quando estavamos colocando o carrinho no tram. Mas foi só um susto!
      Quem estava sendo beatificado era o Dom Carlo Gnocchi.
      Em relação ao San Ciro, realmente foi tudo muito lindo até chegarmos no banheiro :).

      Beijos,

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